Estou aqui num horário totalmente não condizente com meu novo estilo de vida: disciplinado, metódico, que dorme e acorda cedo como um mero trabalhador. Mas o que faço às três da manha ainda acordado? Penso sobre a vida. E esse meu exercício antigo e constante é a fonte mais angustiante de prazer que encontrei até então. Pensar demais cansa, mas gera frutos generosos. Agora mesmo, conversando com uma amiga sobre a vida, sobre que o que foi, está sendo e poderá ser, terminei por ler uns poemas maravilhosos que sempre mexem comigo (porque você é assim, Quintana?) e não me aguento de vontade de digitar umas palavras. Umas besteiras mesmo, mas que me enche que energia.
E mais uma vez tenho de recorrer a quem já disse tudo:
Poema Transitório
Eu que na Era da fumaça: - trenzinho
Vagaroso com vagarosas paradas
Em cada estaçãozinha pobre
Para comprar
Pastéis
Pés-de-moleque
Sonhos
- principalmente sonhos!
porque as moças da cidade vinham
olhar o trem passar:
eles suspirando maravilhosas viagens
e a gente com um desejo súbito
de ficar ali morando sempre...
Nisto, o apito da locomotiva
e o trem se afastando
e o trem arquejando
é preciso partir
é preciso chegar
é preciso partir é preciso chegar...
Ah, como esta vida é urgente!
... no entanto
eu gostava era mesmo de partir...
e - até hoje – quando acaso embarco
para alguma parte
acomodo-me no meu lugar
fecho os olhos e sonho:
viajar, viajar
mas para parte nenhuma...
viajar indefinidamente...
como uma nave espacial perdida entre as estrelas.
Mario Quintana
1 comentários:
com teu post, tive vontade de reler "uma alegria para sempre", uma das mais lindas...
carlinha!
www.catando-vento.blogspot.com
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