28 de dezembro de 2010

Mais um pouquinho do de sempre

Estou aqui num horário totalmente não condizente com meu novo estilo de vida: disciplinado, metódico, que dorme e acorda cedo como um mero trabalhador. Mas o que faço às três da manha ainda acordado? Penso sobre a vida. E esse meu exercício antigo e constante é a fonte mais angustiante de prazer que encontrei até então. Pensar demais cansa, mas gera frutos generosos. Agora mesmo, conversando com uma amiga sobre a vida, sobre que o que foi, está sendo e poderá ser, terminei por ler uns poemas maravilhosos que sempre mexem comigo (porque você é assim, Quintana?) e não me aguento de vontade de digitar umas palavras. Umas besteiras mesmo, mas que me enche que energia.



E mais uma vez tenho de recorrer a quem já disse tudo:

Poema Transitório

Eu que na Era da fumaça: - trenzinho

Vagaroso com vagarosas paradas

Em cada estaçãozinha pobre

Para comprar

Pastéis

Pés-de-moleque

Sonhos

- principalmente sonhos!

porque as moças da cidade vinham

olhar o trem passar:

eles suspirando maravilhosas viagens

e a gente com um desejo súbito

de ficar ali morando sempre...

Nisto, o apito da locomotiva

e o trem se afastando

e o trem arquejando

é preciso partir

é preciso chegar

é preciso partir é preciso chegar...

Ah, como esta vida é urgente!

... no entanto

eu gostava era mesmo de partir...

e - até hoje – quando acaso embarco

para alguma parte

acomodo-me no meu lugar

fecho os olhos e sonho:

viajar, viajar

mas para parte nenhuma...

viajar indefinidamente...

como uma nave espacial perdida entre as estrelas.



Mario Quintana

1 comentários:

Carlinha disse...

com teu post, tive vontade de reler "uma alegria para sempre", uma das mais lindas...

carlinha!

www.catando-vento.blogspot.com