21 de outubro de 2010

Sociologia dá barato?

           Voltei à minha condição de sociólogo (se é que já tive alguma). Andei perdido, correndo para todos os cantos, mas agora estou aqui. Até parecendo que eu encontrei o caminho de Jesus. E é metaforicamente isso mesmo que aconteceu.
            E por falar em metáfora, será que abandonei a literatura? É óbvio que não! Quem quiser fazer um exercício biográfico algum dia, pode voltar nos meus post mais antigos e observar como estive sempre em crise e um dos principais motivos foi exatamente esse: ser sociólogo e escritor são extremos opostos.
            Literatura parece ligada ao acaso, um impulso romântico e incontrolado, exercitado sempre na madrugada com cigarro e bebida. Uma frase bonita e bem construída e o mundo inteiro parece caber ali É a tradução de todo sentimento humano!
            Mas na verdade, não tem nada mais brega que isso. É pura retórica (ou seria literatura?). Fui vendo que é tudo tão permeado de técnicas, tão planejado, racional. Apesar disso, a literatura não perde seu encanto. Pelo contrário, é cada vez mais fascinante ir a funda nela.
            O que aconteceu foi que tudo isso me fez enxergar o outro extremo embaçado da balança. A sociologia por muito tempo me pareceu a coisa mais exata, óbvia, previsível, monótona, algo claramente feito de dia em salas mofadas de bibliotecas, longe da boemia e do cigarro, do vinho, da madrugada.
            Até que algumas das minhas madrugadas passaram a ser ocupadas (não por obrigação, o que é fundamental) por artigos sociológicos. Daí li um livro, outro. Cheguei num tal de Maffesoli que, por mais que falem mal (tem muito sociólogo chato mesmo) me abriu novamente a cabeça para a sociologia. O livro foi Sobre o Nomadismo: Vagabundagens Pós-Modernas.
            Era o que me faltava: existe espaço para a vagabundagem nas ciências sociais. Daí puxei para outros autores até que ouvi isso de Renato Ortiz, numa palestra. Ele falava que a universidade é um espaço feito para o professor exercer a sua criatividade. Quem não exerce é porque não quer. E completou: por que a gente faria isso todos os dias se não por prazer? A sociologia dá barato, até mais que haxixe!




 Hunn... Então tá. Fecho um ciclo: encontro o boêmio na sociologia. As duas pontas num só lugar.
            Continuo ainda com minhas tentativas literárias e posto aqui para os que me agüentam ler. Mas me redimo com a sociologia: admito que ela a mim também dá barato.







            

3 comentários:

Amanda disse...

Hoje na tentativa de melhorar a bagunça do meu quarto e das minhas pesquisas peguei textos e resenhas colocadas "sentadas" em uma cadeira. Li novamente Maffesoli e justamente o texto do nomadismo. Acredite se quiser!
O que eu acho massa nesse livro é o poder permissivo da literatura de você sair do aprisionamento da sociologia acadêmica. Fico feliz com o gás que você sentiu agora. Espero mesmo que una literatura e sociologia. Tu vai acabar sendo um sociólogo fantástico. E não se deixe levar pelos academicismos, por favor! P.s. Afaste-se do modernismo e pós-modernismo da UFPE. Pra nao citar nome(s) né? uashhsuahasu
Beijos, Leozinho!
E boa sorte com tudo! :)

rafa disse...

acho que tu devia começar a pensar no tua condição de designer/editor/sociólogo/escritor que tu tas começando a cavar! vamos cavar isso juntos :)

borboleta disse...

Tudo dá barato, basta chegar no ponto G da coisa. DE qualquer que seja a coisa! Gostei do texto, leozito.