Já é perto de meia noite, o que, para minha atual situação de pessoa responsável e estudiosa (tensão pós- livraria cultura), é um tanto tarde e regada ao peso do sono nos olhos. Se fosse há uns meses atrás, estaria a todo vapor pronto parra entrar madrugada à dentro.
Mas já que tenho vivido mais diurnamente nas últimas semanas, meus relatos são sempre no passado. Então falo um pouco do meu dia. Que foi inteiro na livraria cultura. Trabalhando?! Não, não! Fui assistir o festival A Letra e A Voz. Cheguei saudando os ex-colegas de trabalho (se é que posso considerar colegas de trabalho pessoa com quem convivi por uma semana.
Mas o festival para mim iniciou errado. Errado demais. O que era para ser um curso de web design para blogs literários, não passou de um blábláblá sobre o potencial comunicativo da internet. Mas esquecendo esse pequeno percalço, João Silvério Trevisan veio para arrebentar. Uma puta palestra questionando a existência de uma literatura homoerótica. Mesmo partindo do já esperado não como resposta, Trevisan deixou todos com água na boca em leituras fantásticas e depoimentos emocionados. O dia terminou com a Elvira Vigna falando do seu novo livro Nada a Dizer. Disse que o mundo é essa mentira que todos já estão cansados de saber, que nada faz sentido, e que vivemos sempre narrando tudo para nós mesmos. Daí nasce a literatura, o que achei bem interessante. A tirada lacaniana, segundo citação da própria autora, ficou por aí. Terminamos com mais uma teatralidade de Jomar Muniz de Brito: sejamos todos (in)pacientes lacanianos. Elvira Vigna não teve mais nada a dizer. Sua contribuição ficou por ai.
O dia valeu mesmo pelas tão inspirantes palavras do Trevisan. Voltei para casa com aquela sensação maravilhosa de amar o que se faz, de amar a literatura.

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